Paisagem Cultural do Alto Douro Vinhateiro Paisagem Cultural do Alto Douro Vinhateiro

  

ALTO DOURO VINHATEIRO

Categoria: Paisagem cultural, evolutiva viva

Dados gerais

Região Demarcada do Douro, Trás-os-Montes e Alto Douro
Localização: Região Demarcada do Douro, Trás-os-Montes e Alto Douro
Data de inscrição: 2001
Critérios: (iii)(iv)(v)
Área classificada: 24.600 ha
ZEP: 225.400 ha

Justificação da Inscrição

Critério (iii): A região do Alto Douro tem produzido vinho há quase dois mil anos e a sua paisagem foi moldada pela actividade humana.
Critério (iv): Os elementos da paisagem do Alto Douro são representativos de um amplo conjunto de actividades associadas à vitivinicultura – socalcos, quintas, povoados, capelas e caminhos.
Critério (v): A paisagem cultural do Alto Douro é um exemplo notável de uma tradicional região vitícola Europeia, reflectindo a evolução desta actividade humana ao longo do tempo.

Descrição

A região do Alto Douro produz vinho há 2.000 anos e a sua principal produção, o vinho do Porto, é célebre no mundo inteiro pela sua qualidade desde o século XVIII. Esta longa tradição da viticultura produziu uma paisagem cultural de beleza excepcional, reflectindo a evolução técnica, social e económica de uma região.
A paisagem cultural do Alto Douro Vinhateiro é uma obra combinada do ser humano e da natureza, resultando de um processo multissecular de adaptação de técnicas e saberes fazer associados ao cultivo da vinha. Esta actividade desenvolve-se em condições ambientais particularmente exigentes, destacando-se o clima de tipo mediterrâneo, a inclinação dos terrenos e os solos de xisto. As características de viticultura de montanha permitem a produção de vinhos de qualidade e tipicidade mundialmente reconhecidas, correspondendo às denominações de origem “Porto” e “Douro”.
A área classificada é representativa da diversidade de climas e solos das três sub-regiões que compõe a Região Demarcada do Douro, o Baixo Corgo, o Cima Corgo e o Douro Superior, tendo por eixo central o rio Douro e os seus principais afluentes. Ao mesmo tempo, representa diferentes formas de valorização do espaço agrário que possibilitaram o cultivo da vinha em condições adversas. Foi através de processos engenhosos de surriba que o lavrador duriense transformou as encostas íngremes e pedregosas em solo arável, suportado por muros de pedra que também evitam a erosão. Esta adaptação da natureza a um sistema produtivo ancestral modelou a paisagem vitícola de uma forma singular, conservando o mosaico paisagístico testemunhos dos diferentes períodos da história agro-técnica da Região.
Também o sistema de ocupação do espaço, através de quintas e povoados, enriqueceu a paisagem com um património diverso correspondente a diferentes culturas e modos de ocupação do solo. Além de olivais e amendoais, que se concentram em áreas individualizadas ou se alinham nas bordaduras das parcelas vitícolas, assinalam-se zonas de mata autóctone, pomares e hortas, testemunhos de um sistema de policultura que caracterizava a produção do espaço.
A par deste património material destacam-se ainda os saberes fazer associados às práticas agrícolas e às vivências da comunidade rural transmitidos ao longo de gerações. Estes conhecimentos, que beneficiam também da evolução científica e tecnológica, estão na base de muitas dos procedimentos que marcam e transformam a paisagem ao longo do ano.

Potenciais ameaças
Irregularidade na implementação da ZEP
Deficiente monitorização das alterações na área da ZEP, nomeadamente das reconversões da vinha
Massificação do turismo e consequente crescimento desajustado de infraestruturas hoteleiras
Monocultura da vinha e consequente perda de diversidade; perda de diversidade de castas
Envelhecimento populacional e despovoamento.

 

Autor: Natália Fauvrelle- ICOMOS-Portugal
Data: Abril 2016